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Sintomas Físicos
Desde já, um esclarecimento: não existe nenhuma perturbação psicológica denominada "sintomas físicos". Optei por agregar, aqui, situações muito frequentes em contexto psicoterapêutico e para as quais existe possibilidade de uma ajuda importante.
É muito difícil, se não mesmo impossível, separar mente de corpo. Aliás, acho muito curiosa a expressão "isto é tudo da minha cabeça", quando as pessoas querem dizer que não existe uma explicação médica para os sintomas que têm. Faz-me pensar que a cabeça não pertence ao corpo...
Existe uma categoria de perturbações que se centra na apresentação de queixas físicas específicas, de acordo com determinados parâmetros, e que se designa de perturbações somatoformes. Nesta categoria incluem-se sintomas tão diversificados como queixas de dores numa ou mais localizações anatómicas, sintomas gastro-intestinais (como náuseas), paralisia, cegueira, fadiga, etc. Além de outros critérios necessários para se poder fazer um diagnóstico concreto de uma perturbação somatoforme, na sequência destas queixas físicas, há uma questão fundamental: depois de uma análise médica adequada, nenhum dos sintomas é completamente explicado por um estado físico geral conhecido, nem pelos efeitos directos de uma substância (medicação, drogas, etc).
Como se trata?
Bem, o tratamento depende muito do quadro específico apresentado. Por vezes, intervém-se com técnicas de controlo de dor, que são bastante eficazes e constituem uma alternativa viável à medicação analgésica.
Quando a queixa não se limita a dor (ou, mesmo quando só se limita a dor), normalmente estamos perante uma situação de alguma complexidade, que requer um acompanhamento psicoterapêutico mais profundo e multi-facetado.
Um caso
O caso de que lhe vou falar, curiosamente, não se enquadra nas perturbações somatoformes - é um quadro médico e crónico, mas para o qual não existem tratamentos verdadeiramente eficazes, na maioria das situações.
A cliente tinha uma situação de fibromialgia diagnosticada havia 4 anos. Com uma vida que anteriormente tinha sido intensa do ponto de vista profissional e social, viu-se na contingência de ter de abrandar muito o seu ritmo diário e ressentia-se das limitações elevadas que esta doença lhe impunha. Muito particularmente, existiam dias frequentes com dores elevadas, a ponto de não conseguir sair da cama.
Trabalhámos ao longo de 38 sessões, numa intervenção muito adaptada às suas características individuais, envolvendo várias técnicas psicoterapêuticas, (algumas "arrancadas" do seu contexto original e adequadas de uma forma que exigiu alguma liberdade criativa) quer para o controlo da dor, quer para combater a depressão que, entretanto, se tinha instalado. No final da intervenção, a sua qualidade de vida tinha melhorado substancialmente e tinha reduzido muito a medicação analgésica.
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