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Perturbação do Pânico
Normalmente, as pessoas apercebem-se que têm uma perturbação do pânico após algumas visitas a urgências hospitalares. Um ataque de pânico é extremamente perturbador, sendo descrito como um terror paralizante, de tal forma que leva a pessoa a convencer-se que vai morrer (por exemplo com um ataque cardíaco), ou que está a enlouquecer.

Depois dos exames médicos apropriados, e na ausência de qualquer quadro clínico orgânico que explique os sintomas, os médicos referenciam para acompanhamento psicológico. No entanto, é frequente receber clientes que já consultaram mais de 10 médicos, antes de terem tido um diagnóstico correcto e, segundo alguns estudos norte-americanos, apenas 1 em cada 4 pessoas que sofrem de perturbação do pânico acabam por receber tratamento adequado.

Alguns dos sintomas mais comuns são: dor no peito, coração muito acelerado, tonturas e/ou sensação de desmaio, náuseas e/ou perturbação gastro-intestinal súbita, sensação de sufoco, sudação, tremuras e dormência ou formigueiro nos membros superiores ou inferiores.

A perturbação do pânico pode, ou não, ser acompanhada de agorafobia: um medo intenso de estar em locais de onde resulte difícil ou embaraçoso sair, caso a pessoa o queira fazer. Este medo é tão forte que as pessoas tendem a evitar determinados locais, com sério prejuízo da sua qualidade de vida. Como é que isso prejudica a qualidade de vida? Bem, aqui ficam alguns exemplos de locais e situações que um agorafóbico tende a evitar: pontes, salas de espectáculo, restaurantes, transportes públicos, conduzir sózinho, estar longe de casa ou de outro local que considere como seguro. Sobretudo, à medida que esta perturbação se instala, com o correr do tempo e sem tratamento adequado, há uma tendência para generalizar o medo, ou seja, cada vez existem mais situações que a pessoa vai evitar, podendo, mesmo, chegar a um extremo de não conseguir, sequer, sair de casa.

Apesar de bastante comum (cerca de 1 em cada 75 pessoas), é uma desordem que gera muita incompreensão por parte de quem convive de perto com alguém afectado; para desespero de quem sofre com ataques de pânico (e, confesso, para meu desespero...) é frequente ouvir dizer que é apenas uma questão de força de vontade para ultrapassar a situação e que basta manter a calma. Que bom que seria...


Como se trata?
Mesmo em perturbações do pânico que tenham evoluído ao longo de vários anos e atingido uma gravidade significativa, é fácil reverter a situação. A abordagem de base que utilizo é cognitivo-comportamental e recorro ao EMDR para processar situações de pânico passadas que possam ter sido vivenciadas como especialmente traumáticas.


Normalmente, construo a intervenção em 4 fases sequenciais, ainda que com alguma sobreposição. Em primeiro lugar, uma componente pedagógica, em que tudo é explicado. Em segundo lugar, uma fase de aprendizagem de técnicas de auto-regulação emocional. A 3ª fase é a mais longa e chama-se dessenssitização sistemática: trata-se de um processo no qual se constrói uma hierarquia das situações que originam medo e, começando-se por aquela que gera menos ansiedade, progride-se na hierarquia, retirando este potencial de gerar medo, situação a situação. Finalmente, faço um trabalho muito individualizado de prevenção de recaídas futuras.


Um caso
O cliente, na casa dos 30 anos, sofria de perturbação do pânico com agorafobia há 12 anos, tendo surgido a perturbação após uma fase de transição de vida potencialmente geradora de stress (no caso, foi um casamento apressado, seguido pelo nascimento do 1º filho, mudança de emprego e doença grave da mãe, tudo no mesmo ano), como, aliás, é frequente nestas situações. A sua qualidade de vida foi ficando progressivamente afectada à medida que foi limitando a distância a que se permitia aventurar a partir da sua casa e do seu local de trabalho. A situação complicou-se ainda mais quando foi confrontado com a possibilidade de uma promoção profissional, muito desejada, mas que o obrigava a viagens frequentes para o estrangeiro.

Há vários anos na dependência de medicação, sem resultados significativos, optou por procurar ajuda psicoterapêutica.


Bastaram 20 sessões para começar a percorrer o mundo, sozinho, no decurso das suas actividades profissionais, e para restabelecer completamente a sua qualidade de vida, o que incluíu a vida social e cultural activa de que sempre gostou.




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