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Perturbação Obsessiva-Compulsiva
É uma perturbação muito frequente (segundo alguns estudos, é a 4ª perturbação psicológica mais frequente, afectando 1 em cada 40 adultos), mas com contornos muito individualizados - cada caso é um caso - e, por isso, difícil de explicar em poucas linhas. Tornou-se mais conhecida entre nós depois do filme "Melhor é impossível", o que foi importante porque só então é que algumas pessoas se aperceberam, pela 1ª vez, que tinham uma perturbação identificada e que podia ser tratada.

De uma forma genérica, trata-se de uma perturbação da ansiedade caracterizada por obsessões e compulsões. As obsessões são pensamentos e imagens, intrusivos e indesejados, que a pessoa sente que não consegue controlar, e que a fazem sentir-se extremamente ansiosa. As compulsões são comportamentos ou actos mentais repetitivos e rígidos que acabam por ser protectores na medida em que, de uma forma algo mágica, fazem baixar a ansiedade logo após terem sido executados.


Como se trata?
Hoje em dia, felizmente, já existem protocolos de tratamento com níveis de eficácia muito elevados. De acordo com os estudos científicos, a melhor abordagem é a cognitivo-comportamental, ainda que tenha de ser ajustada à medida da manifestação individual desta desordem. Precisamente por isso é difícil dar dados sobre o número de sessões necessárias, uma vez que podem variar de acordo com muitos factores.


Um caso
O cliente estava desesperado. Ao longo dos anos em que durava o problema, apesar de alguns períodos em que parecia que melhorava, o facto é que a situação, gradualmente, se agravava e, nesse momento, tinha, já, proporções assustadoras.

A sua qualidade de vida tinha baixado bastante: cada vez mais isolado e cada vez mais impossibilitado de se conseguir organizar no tempo. Os seus comportamentos compulsivos eram vistos como bizarros pelas pessoas que o rodeavam, determinando o seu progressivo afastamento e um sofrimento grande por se sentir incompreendido e estranho. O tempo que era consumido em rituais comportamentais roubava-lhe a possibilidade de investir o seu tempo de uma forma útil e agradável. Tinha duas categorias de obsessões: medo de se sujar e ser contaminado por alguma doença grave, e medo de ter cometido, involuntariamente, algum erro que colocasse outras pessoas em risco. Além do sofrimento diário com estas ideias obsessivas, os seus comportamentos compulsivos eram muito visíveis e consumiam muito tempo: não tocava com as mãos directamente nas maçanetas das portas, lavava as mãos cerca de 40 vezes por dia, tomava 3 duches diários, todos muito prolongados, não usava casas de banho públicas, verificava várias vezes se tinha fechado as portas e janelas, se tinha trancado o carro, se tinha fechado as torneiras e o gás, se as facas estavam no sítio exacto onde as tinha colocado previamente, ... Impossível descrever aqui tudo. De tal forma, que o seu comportamento diário se tornava muito estranho para quem o via e era motivo de permanente ansiedade e sofrimento.

Dada a complexidade deste caso, foram precisas 32 sessões para que a normalidade voltasse a instalar-se na sua vida. Mas houve um final feliz: ficou bem!




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