Fobias
Define-se como fobia o medo irracional (ou seja, não existe nada de potencialmente perigoso no objecto fóbico) e incontrolável. As fobias são as situações mais frequentes - quase arriscaria dizer que difícil é encontrar alguém que não tenha uma qualquer fobia...
As fobias simples pouco interferem no nosso dia-a-dia e, portanto, raramente requerem intervenção terapêutica. Pense, por exemplo, numa fobia a cobras; a maior parte de nós reside em contextos urbanos, onde não se cruza com cobras (ou, pelo menos, não é suposto!). No entanto, se viver numa casa de campo, o encontro com uma cobra é bastante provável e pode poupar-se à aflição extrema que sente de cada vez que vê um destes bicharocos.
Como se trata?
As fobias são muito fáceis e rápidas de tratar. Normalmente aplica-se um método de progressiva exposição ao objecto fóbico (muito progressivo, começando apenas por imaginá-lo) e, à medida que a pessoa se vai sentindo mais confortável com a convivência (ainda que apenas imaginada, no começo), vai-se aumentando a habituação a estar perante o que lhe cria o medo.
Para os mais sensíveis, existem técnicas de maior suavidade que permitem reduzir largamente a fobia: técnicas de hipnose, de programação neuro-linguística, EMDR (Eye Movement Dessensitization Reprocessing) e EFT (Emotional Freedom Techniques).
Um caso
O cliente tinha uma fobia a cães que datava da época em que foi mordido por um pastor alemão, em criança. Tendo acabado de se casar e mudar para uma nova casa, defrontou-se com um problema: a zona para onde foi morar estava "invadida" por cães! Como era uma área residencial recente, habitada, sobretudo, por casais jovens, muitos tinham cães como animais de estimação, pelo que era difícil evitar sair à rua e não ter de se cruzar com um.
Usámos uma abordagem muito diversificada e rápida (EMDR para processar a situação traumática passada, EFT para reduzir o desconforto emocional quando pensava em defrontar-se com cães e o método de exposição progressiva). Na fase final, incluí o apoio de uma co-terapeuta muito especial: a minha Golden Retriever, que entendeu passar uma sessão inteira de "pata dada" com este cliente, numa demonstração inequívoca de apoio psicológico...
Após quatro sessões, o cliente já nem conseguia aperceber-se de que se estava a cruzar com um cão na rua. Nesta sessão final, referiu, mesmo, estar a pensar adoptar um cão como animal de estimação! As voltas que a vida dá...
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